Santa Catarina deve enfrentar um inverno atípico em 2026 com a chegada antecipada do El Niño. O fenômeno, que normalmente era esperado para a primavera, está se desenvolvendo mais rápido do que o previsto — e para os pescadores do litoral catarinense, isso muda bastante coisa. Neste post, o Ratos de Pesca explica o que é o El Niño, o que esperar do clima em Florianópolis e como se preparar para pescar nesse cenário.
O que é o El Niño?
Antes mesmo de ser estudado pela ciência, o El Niño foi identificado por pescadores na costa do Peru e do Equador. Eles observaram que, em períodos de águas mais quentes, a quantidade de peixes diminuía, prejudicando a pesca. Como esse aquecimento costumava ocorrer próximo ao Natal, o fenômeno passou a ser chamado de “El Niño” — expressão em espanhol que significa “o menino”, em referência ao Menino Jesus.
Em termos simples: o El Niño é o aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Esse calor extra se espalha pela atmosfera e altera os padrões de chuva e temperatura em boa parte do planeta — incluindo o sul do Brasil.

O que os dados dizem para 2026
De acordo com a atualização mais recente do Climate Prediction Center da NOAA, há 80% de probabilidade de o El Niño iniciar entre julho e agosto de 2026, com tendência de persistir ao longo da primavera e do verão. A agência americana aponta ainda 25% de chance de o fenômeno se configurar com intensidade muito forte — o chamado “Super El Niño”.
A previsão é de que o pico de intensidade ocorra entre dezembro de 2026 e janeiro de 2027, com risco de variação de mais de dois graus na temperatura da superfície do oceano. Fontes oficiais para acompanhar:
- INMET — Instituto Nacional de Meteorologia
- EPAGRI/CIRAM — Climatologia de Santa Catarina
- Defesa Civil de Santa Catarina
- NOAA — National Oceanic and Atmospheric Administration (EUA)
O que muda no clima de Santa Catarina
Durante o El Niño, o Sul do Brasil recebe mais chuva, frentes frias mais intensas e temperaturas acima da média. Para Florianópolis, o cenário esperado para o segundo semestre de 2026 é:
- Inverno mais quente — temperaturas acima da média histórica, com menos dias de frio intenso e duradouro
- Mais chuva a partir de junho — frentes frias mais frequentes e volumes de precipitação elevados
- Temporais na primavera — setembro a novembro com risco elevado de tempestades, granizo e vendavais
- Mar mais agitado — ondulações mais frequentes e janelas de bom tempo mais curtas
Segundo os meteorologistas Nicolle Reis e Caio Guerra, da Secretaria de Proteção e Defesa Civil de SC: “Um El Niño forte não implica necessariamente na ocorrência de eventos extremos. No entanto, a atmosfera fica mais favorável à ocorrência desses eventos.”

Como o El Niño afeta a pesca em Florianópolis
Essa é a parte que mais interessa para quem está planejando as pescarias do segundo semestre. Os impactos são diretos e precisam estar no radar de todo pescador.
Temperatura da água mais alta
O aquecimento anormal das águas já observado nos últimos meses pode alterar o comportamento migratório das espécies. No último verão, maricultores de ostras registraram perdas de até 90% da produção com a média da temperatura do mar saltando de 28°C para até 34°C. Para a pesca esportiva, água mais quente tende a aproximar peixes pelágicos como dourado e atum — o que pode ser uma oportunidade para quem pesca embarcado.
Cardumes fora do padrão
A migração dos peixes é orientada pelo encontro entre a Corrente das Malvinas (água fria, vinda do sul) e a Corrente do Brasil (água quente). Com o El Niño aquecendo o oceano, esse equilíbrio muda — e os cardumes mudam junto. Espécies como tainha, anchova e olhete podem aparecer em épocas ou locais fora do habitual.
Visibilidade prejudicada pelas chuvas
Mais chuva significa mais água doce chegando ao mar pelas embocaduras de rios, o que reduz a salinidade e a visibilidade da água costeira. Para a pesca submarina em Florianópolis, isso pode fechar janelas que normalmente seriam boas, especialmente nos dias seguintes a temporais intensos.
Menos dias úteis de pesca
Com frentes frias mais intensas e frequentes, os dias de mar calmo vão ser mais disputados. A recomendação é monitorar as previsões com mais antecedência e aproveitar as janelas de bom tempo assim que aparecerem.
Como se preparar para pescar bem no El Niño 2026
- Monitore o mar com antecedência — use o Windguru e o site da Marinha do Brasil para planejar as saídas
- Acompanhe os alertas oficiais — Defesa Civil de SC e EPAGRI/CIRAM emitem boletins regulares
- Seja flexível com as datas — o El Niño vai exigir mais paciência e oportunismo do que força de vontade
- Aproveite o inverno mais quente — menos frio pode significar mais conforto nas pescarias de mergulho com neoprene mais fino
- Fique atento às espécies fora de época — o aquecimento pode trazer espécies incomuns para perto da costa
O El Niño 2026 vai mudar o jogo no litoral catarinense — mas quem estiver bem informado e preparado vai continuar pescando bem. Acompanhe o Ratos de Pesca no YouTube e no Instagram para ficar por dentro de tudo que acontece nas águas de Florianópolis.
